O Ministério da Agricultura e Pecuária publicou, em setembro de 2026, a primeira edição específica do Anuário do Vinho. Com dados referentes a 2025, a publicação apresenta um retrato abrangente da cadeia vitivinícola brasileira, reunindo informações sobre vinícolas registradas, produtos formalizados, produção, empregos e comércio exterior.
O levantamento mostra que o Brasil tinha 965 vinícolas registradas no Mapa, distribuídas por 327 municípios. O número ajuda a dimensionar a presença da atividade no território nacional e também evidencia a concentração regional do setor. O Rio Grande do Sul lidera, com 600 estabelecimentos, seguido por Santa Catarina, com 102, e São Paulo, com 86.
Rio Grande do Sul concentra a maior parte das vinícolas
A distribuição apresentada no anuário reforça o peso histórico da Região Sul na produção de vinhos no país. Apenas os três estados com maior número de estabelecimentos somam 788 vinícolas registradas, o que representa a maior parcela do total informado pelo governo federal. Os dados também indicam que a vitivinicultura está presente em diferentes municípios e não se limita a uma única área produtora.
Além das empresas e unidades produtivas, o documento contabiliza 16.258 vinhos registrados no país. O registro oficial é um dos mecanismos usados para organizar e acompanhar os produtos submetidos às regras de fiscalização. Na prática, essa base permite identificar os itens regularizados e contribui para a rastreabilidade e para o controle das condições técnicas e higiênico-sanitárias previstas para o setor.
Segundo a notícia publicada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, a produção declarada em 2025 superou 300 milhões de litros. O setor também registrou 7.361 empregos diretos, indicador que dimensiona a importância econômica da atividade para as regiões onde estão instaladas as vinícolas.
Importações superam exportações no comércio exterior
O comércio exterior é um dos pontos de maior contraste no retrato apresentado pelo Anuário do Vinho 2026. Em 2025, o Brasil exportou 7,35 milhões de litros de vinho, enquanto as importações chegaram a 165,66 milhões de litros. A diferença mostra a forte presença de rótulos estrangeiros no abastecimento do mercado brasileiro, ao mesmo tempo em que revela espaço para o fortalecimento da produção nacional.
Os números não significam, por si só, uma avaliação sobre a qualidade dos vinhos brasileiros ou importados. Eles ajudam a compreender a dimensão dos fluxos comerciais e o ambiente competitivo enfrentado pelas vinícolas instaladas no país. Para produtores e empresas, o cenário envolve desafios relacionados à ampliação da produção, à distribuição, à diferenciação dos rótulos e à conquista de consumidores dentro e fora do Brasil.
Para o consumidor, o levantamento oferece contexto sobre a variedade disponível no mercado e sobre a origem dos produtos. Já para o produtor, a existência de dados consolidados pode apoiar análises sobre concentração regional, formalização, escala produtiva e oportunidades de expansão. A comparação entre importações e exportações também coloca em perspectiva o potencial de crescimento da participação brasileira no comércio internacional.
Dados oficiais ajudam a acompanhar a cadeia do vinho
O anuário foi elaborado a partir de bases institucionais como o Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários (Sipeagro), o Comex Stat, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged). A combinação dessas fontes permite reunir, em uma mesma publicação, informações de fiscalização, produção, mercado de trabalho e comércio exterior.
A versão técnica do Anuário do Vinho 2026, com referência ao ano de 2025, foi publicada em 2 de setembro e atualizada em 4 de setembro de 2026. A notícia de divulgação do Mapa foi publicada em 8 de setembro. Por se tratar da primeira edição específica do anuário, o material também cria uma base de referência para acompanhar a evolução futura do setor.
Ao organizar dados sobre estabelecimentos, produtos, produção, empregos e operações internacionais, a publicação amplia a visibilidade da cadeia vitivinícola brasileira. O retrato de 2025 combina uma estrutura produtiva concentrada principalmente no Sul, milhares de produtos registrados e uma presença ainda mais expressiva dos vinhos importados no comércio exterior. Esses elementos ajudam a explicar o tamanho do mercado e os desafios que estão colocados para a atividade no país.