Conforme destaca Paulo Roberto Gomes Fernandes, a definição do consórcio responsável pela construção do túnel que abrigará um trecho do oleoduto da Linha 5, no Estreito de Mackinac, marcou um avanço relevante em um dos projetos de infraestrutura energética mais debatidos da América do Norte nos últimos anos. A obra prevê a substituição do segmento atualmente instalado no leito dos Grandes Lagos por um túnel com cerca de sete quilômetros de extensão, solução considerada mais segura diante dos riscos ambientais apontados por autoridades estaduais e grupos da sociedade civil.
O empreendimento ficará a cargo de uma joint venture formada por duas empresas americanas de engenharia pesada, que atuarão em parceria igualitária sob uma nova denominação específica para o projeto. Caberá a esse consórcio a execução da escavação do túnel e das etapas estruturais necessárias para viabilizar a passagem do oleoduto em um corredor subterrâneo localizado dezenas de metros abaixo do fundo do lago.
Um corredor estratégico para energia e outras utilidades
O chamado “Túnel dos Grandes Lagos” foi concebido como um corredor de utilidades de longo prazo, capaz de conectar as penínsulas do estado de Michigan de forma segura. Além de acomodar o oleoduto da Linha 5, que transporta petróleo leve e líquidos de gás natural, o traçado também poderá receber outras infraestruturas no futuro, ampliando sua relevância estratégica.
Do ponto de vista energético, Paulo Roberto Gomes Fernandes explica que a Linha 5 é considerada um ativo crítico para o abastecimento regional, pois sustenta cadeias de suprimento ligadas a combustíveis, aquecimento residencial e atividades industriais. Ao mesmo tempo, o envelhecimento do trecho atualmente submerso e os episódios envolvendo âncoras de navios reforçaram a pressão por uma solução estrutural definitiva, capaz de reduzir a probabilidade de incidentes ambientais de grande escala.
Licenciamento ambiental e cronograma
Apesar da escolha do consórcio construtor, o início efetivo das obras segue condicionado à obtenção das licenças ambientais federais. A expectativa original era que a autorização final fosse concedida em um prazo mais curto, mas o processo de análise ambiental se mostrou mais complexo, podendo gerar novos ajustes no cronograma.
Ainda assim, a seleção antecipada das empresas responsáveis pela execução indica que o projeto entrou em uma fase mais concreta de planejamento. Com isso, aspectos técnicos detalhados, como métodos construtivos, logística de equipamentos e estratégias de mitigação de riscos, passam a ser discutidos de forma mais aprofundada.
Desafios técnicos de um túnel singular
O túnel da Linha 5 apresenta características que o diferenciam de grande parte das obras subterrâneas convencionais. Além da extensão incomum, o traçado inclui um longo trecho em declive até aproximadamente a metade do percurso, seguido por um aclive igualmente acentuado até a saída. Essa geometria impõe desafios específicos tanto para a escavação quanto para o lançamento do oleoduto em seu interior.

Outro fator crítico evidencia por Paulo Roberto Gomes Fernandes é a limitação de operações dentro do túnel. Procedimentos tradicionais, como soldagem contínua no interior da galeria, tornam-se inviáveis ou extremamente restritivos em um ambiente confinado dessa magnitude, exigindo soluções alternativas para montagem, tracionamento e posicionamento dos tubos.
Tecnologia brasileira como referência técnica
É nesse contexto que a participação indireta de uma empresa brasileira especializada em soluções para dutos em ambientes confinados ganha relevância. A experiência acumulada em projetos realizados no Brasil, envolvendo túneis longos, diâmetros reduzidos e apenas um ponto de acesso, tornou-se referência técnica em debates e apresentações realizadas ao longo do processo de licenciamento.
Paulo Roberto Gomes Fernandes, que acompanha o projeto desde suas fases iniciais, tem sido citado como um dos responsáveis por apresentar aos técnicos envolvidos alternativas construtivas voltadas ao lançamento de tubulações em condições extremas. Essas soluções se baseiam em métodos que evitam operações críticas dentro do túnel e permitem controlar com precisão esforços de tração e compressão, inclusive em trechos de subida e descida.
Segundo ele, o maior desafio não está apenas na extensão do túnel, mas na combinação entre peso acumulado dos tramos de tubulação, inclinação do traçado e necessidade de manter segurança operacional ao longo de todo o processo. Tecnologias desenvolvidas para aplicações em serras e cadeias montanhosas, capazes de lidar com grandes variações de esforço, surgem como alternativas viáveis para esse tipo de cenário.
Expectativa para as próximas etapas
Com o consórcio construtor definido e as soluções técnicas em avaliação, o projeto entra agora em uma fase decisiva. A liberação ambiental federal será o último grande marco antes do início das obras, que devem mobilizar recursos significativos e atenção internacional.
Mais do que uma simples substituição de infraestrutura, o túnel da Linha 5 tornou-se um símbolo de como grandes projetos energéticos passam a ser condicionados por critérios ambientais, técnicos e sociais cada vez mais rigorosos. Nesse contexto, Paulo Roberto Gomes Fernandes conclui que a combinação entre engenharia pesada tradicional e tecnologias especializadas tende a ser determinante para transformar um projeto controverso em uma solução de longo prazo.
Autor: Monny Pettit