Como sugere o Engenheiro Valderci Malagosini Machado, o intertravado permeável ganhou espaço como alternativa para lidar com água de chuva sem depender apenas de galerias e sarjetas. Em projetos onde enxurradas, poças e sobrecarga de drenagem viram rotina, esse sistema pode ser um diferencial real. Continue a leitura e entenda em quais cenários ele entrega desempenho consistente e onde aparecem limites que precisam ser reconhecidos desde o projeto.
A lógica hidráulica que torna o sistema atraente
O intertravado permeável funciona a partir de uma premissa simples: permitir que parte da água atravesse o pavimento e seja conduzida por camadas granulares, reduzindo o escoamento superficial. Assim, o piso deixa de ser apenas uma “pele” impermeável e passa a participar do manejo de águas pluviais. Como resultado, áreas externas podem apresentar menor formação de lâminas d’água e menor pressão imediata sobre redes de drenagem, algo valorizado em ambientes urbanos com eventos de chuva mais intensos.
Como aponta o Diretor Técnico Valderci Malagosini Machado, essa proposta também conversa com conforto de uso. Superfícies que drenam melhor tendem a ser mais seguras para pedestres e mais previsíveis para veículos, especialmente em acessos e áreas de circulação cotidiana.
Cenários onde a permeabilidade tem ganho real de desempenho
Há contextos em que o intertravado permeável faz mais sentido devido ao comportamento do local. Áreas com baixa declividade, onde o escoamento superficial é naturalmente lento, costumam concentrar água e exigir soluções mais robustas de drenagem. Nessas condições, permitir infiltração controlada pode reduzir poças e melhorar a experiência do usuário.
Outro cenário relevante envolve locais em que se busca aliviar picos de vazão para a drenagem pública. Ao reter e conduzir parte do volume nas camadas do pavimento, o sistema pode contribuir para diminuir a contribuição imediata do lote durante chuvas fortes. Na visão do Engenheiro Valderci Malagosini Machado, valor aparece quando o pavimento é entendido como parte do conjunto hidráulico do empreendimento, com efeito perceptível no funcionamento do espaço e na operação futura.
O que limita a infiltração? Solo, nível d’água e capacidade de armazenamento
A permeabilidade não elimina limites físicos do terreno. A capacidade de infiltrar depende do solo, do nível do lençol freático e da possibilidade de armazenar água nas camadas inferiores sem gerar saturação prolongada. Quando o subleito tem baixa permeabilidade, a água pode permanecer por mais tempo no sistema, reduzindo a eficiência e alterando o comportamento estrutural do conjunto.

Além disso, como alude o Engenheiro Valderci Malagosini Machado, há a questão do volume. Mesmo com boa permeabilidade, chuvas intensas podem exceder a capacidade de armazenamento temporário das camadas, fazendo com que a água retorne à superfície ou escoe lateralmente. Desse modo, o sistema funciona melhor quando o dimensionamento considera a realidade local, evitando expectativa de absorver tudo em qualquer condição.
Operação urbana e responsabilidade: A função não termina na entrega
O intertravado permeável costuma exigir uma visão de operação contínua. Em áreas públicas e condomínios, a manutenção influencia diretamente a preservação do desempenho hidráulico e da estética. Quando esse aspecto não é considerado, o sistema pode perder parte do benefício que justificou sua adoção. Por isso, discutir limitações não é pessimismo, e sim proteção do investimento e da expectativa técnica associada ao pavimento.
Previsibilidade e infraestrutura
O intertravado permeável faz sentido quando o projeto busca manejo de água no lote e quando o contexto permite que infiltração e armazenamento funcionem com previsibilidade. Ainda assim, solo pouco permeável, lençol alto, colmatação e saturação são limites que precisam ser tratados como parte da decisão.
Como resume o Diretor Técnico Valderci Malagosini Machado, o melhor resultado nasce quando o pavimento é especificado como infraestrutura, com critérios claros de desempenho hidráulico e estabilidade estrutural, preservando função e confiabilidade ao longo do uso.
Autor: Viktor Ivanov