Setor avalia que exceções amenizam efeito da tarifa de 25%, mas produtos como café e proteína animal seguem no radar das preocupações
A partir de 22 de julho, uma nova camada de tarifas americanas passou a incidir sobre parte das exportações brasileiras, e o agronegócio é um dos setores diretamente afetados. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, cerca de 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro para os Estados Unidos serão impactadas pela tarifa anunciada pelo governo americano. A entidade também destaca que, mesmo com a ampliação da lista de produtos isentos, uma parcela relevante dos embarques do setor passará a enfrentar uma sobretaxa de 25%. Metrópoles
Quem entra e quem fica de fora da nova tarifa
Nem todos os produtos do agro foram atingidos da mesma forma. De acordo com levantamento da CNA, produtos como café, carne bovina, peixe, terras raras e laranja ficaram fora do novo tarifaço, o que ajuda a explicar por que a entidade estima que 63,5% do valor exportado pelo agronegócio brasileiro aos Estados Unidos ficará fora da tarifa adicional. Ainda assim, a diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, reconheceu publicamente a apreensão do setor diante da medida, afirmando que a confederação recebeu o resultado da investigação americana com preocupação. MetrópolesClaudio Dantas
Já no setor pesqueiro, a situação é mais heterogênea. Reportagem recente mostra que, enquanto algumas categorias de pescado continuam livres da cobrança adicional, outras passarão a enfrentar a nova tarifa, caso do filé congelado de tilápia, um dos principais produtos da piscicultura nacional voltados ao mercado externo. O setor de reciclagem animal também monitora de perto os efeitos sobre a exportação de sebo bovino, insumo usado em diferentes cadeias industriais. Pagina1news
O tamanho do prejuízo estimado
As projeções sobre o impacto financeiro variam conforme a metodologia usada, mas todas apontam para perdas bilionárias. Um levantamento recente aponta que o prejuízo do agro com as exportações pode chegar a US$ 5,8 bilhões, resultado do aumento de custos e da redução das margens de lucro dos produtos nacionais no mercado americano. Especialistas de instituições como a FGV Agro e a Amcham Brasil também consideram a medida prejudicial à relação comercial bilateral, com potencial de elevar custos inclusive para o consumidor final nos Estados Unidos. IBandRN
Apesar da magnitude dos números, boa parte do setor avalia que o impacto proporcional tende a ser administrável. Uma análise recente pondera que os impactos tendem a ser limitados, já que apenas uma pequena parcela do faturamento do setor depende das exportações para o mercado americano, o que reduz, ainda que não elimine, o risco sistêmico da medida sobre o agronegócio como um todo. Pagina1news
Negociação segue em aberto
O desfecho da disputa comercial, no entanto, ainda não está fechado. A CNA afirma que vai continuar acompanhando o processo junto ao governo americano, buscando reduzir os efeitos da tarifa sobre as cadeias mais afetadas. Enquanto isso, o Ministério da Agricultura ainda não divulgou uma nota técnica detalhada com plano de contingência específico para as microrregiões produtoras mais expostas à medida, o que mantém produtores e exportadores em compasso de espera quanto aos próximos passos do governo brasileiro diante do avanço da política tarifária dos Estados Unidos.
Fontes: Metrópoles | Página1News | Cláudio Dantas / CNA | Notícias Agrícolas