Setor faturou US$ 16 bilhões no mês, impulsionado pela China e pela alta simultânea de volume e preço dos produtos agrícolas brasileiros.
O agronegócio brasileiro voltou a surpreender em 2026. Em maio, as exportações do setor somaram US$ 16 bilhões, o maior valor já registrado para o mês, com crescimento de 8,2% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado consolidou o agro como o principal motor das vendas externas do país, respondendo por 50,2% de tudo o que o Brasil exportou no período, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Para quem acompanha o setor, a pergunta natural é: o que sustenta esse ritmo, e ele deve continuar nos próximos meses? A resposta passa por três frentes que se reforçam mutuamente: a demanda chinesa, a diversificação de mercados conquistada nos últimos anos e o desempenho conjunto de soja e proteínas animais. Entender esses fatores ajuda o produtor rural a se posicionar diante de um cenário que, apesar dos recordes, ainda enfrenta oscilações de preços internacionais e riscos climáticos.
China segue como motor das exportações, mas diversificação ganha peso
A China manteve, em maio, a posição de maior compradora do agronegócio brasileiro. As importações chinesas somaram US$ 6,3 bilhões no mês, alta de 12,8% na comparação anual, o equivalente a cerca de 40% de toda a pauta exportadora do setor. Esse número reforça uma dependência que já é conhecida por quem acompanha o comércio agrícola brasileiro, mas também revela um crescimento consistente da demanda asiática, mesmo em um contexto de tensões comerciais globais.
Ao mesmo tempo, o Brasil tem avançado em uma estratégia de reduzir a concentração em poucos parceiros. União Europeia e Estados Unidos completaram o pódio dos compradores em maio, com US$ 2,4 bilhões e US$ 837 milhões respectivamente, embora as compras americanas tenham recuado 28% na comparação com o ano anterior. Por outro lado, países como Bangladesh, Tailândia, Vietnã, Paquistão, Turquia e Jordânia ampliaram significativamente suas aquisições, um movimento que vem sendo construído desde 2023 com a abertura de centenas de novos mercados para produtos brasileiros.
Essa diversificação importa porque protege o setor de choques pontuais em um único destino. Quando um mercado desacelera, como ocorreu com os Estados Unidos, o crescimento em outras regiões consegue compensar a perda e manter a trajetória de recordes. É esse equilíbrio que explica por que o agro brasileiro segue crescendo mesmo em um cenário internacional marcado por incertezas tarifárias e disputas comerciais entre grandes economias.
Soja e proteínas animais lideram o desempenho do mês
Entre os produtos, a soja em grãos continuou na liderança da pauta exportadora. As vendas externas do grão somaram US$ 6,3 bilhões em maio, crescimento de 14,6% frente ao mesmo mês de 2025, com embarques de 14,8 milhões de toneladas. O resultado confirma a relevância da oleaginosa para a balança comercial brasileira, especialmente em um momento de recuperação de preços após períodos de pressão nas cotações internacionais.
As proteínas animais também tiveram um mês de recordes. A carne bovina in natura alcançou US$ 1,7 bilhão em exportações, salto de 50,2% em valor, com 262 mil toneladas embarcadas, sendo que a China respondeu por mais de 60% dessas compras. A carne de frango somou US$ 883 milhões, com alta de 40%, enviada para mais de 135 destinos diferentes, enquanto a carne suína atingiu US$ 278 milhões, também um novo recorde para o mês. Esses números mostram que o crescimento do agro não está concentrado em um único produto, mas distribuído entre grãos e proteínas, o que dá mais estabilidade ao setor como um todo.
Outro dado que chama atenção é o desempenho de nichos menores, como o DDG, subproduto da produção de etanol de milho usado na alimentação animal. Entre janeiro e maio, as exportações do produto cresceram 37,7%, com volume recorde de 555 mil toneladas, resultado direto da abertura de 21 novos mercados desde 2023. São sinais de que a estratégia de ampliação de destinos, construída ao longo de anos, começa a aparecer com mais clareza nos números mensais.
O que o produtor rural pode esperar para os próximos meses
Com o acumulado de janeiro a maio somando US$ 70,5 bilhões, alta de 4,6% em relação a 2025 e também recorde histórico para o período, o setor caminha para mais um ano de números expressivos. Ainda assim, é importante que o produtor rural entenda que esse desempenho combina dois fatores distintos: aumento de volume embarcado e valorização dos produtos no mercado internacional. Em maio, o volume cresceu 3,6%, enquanto os preços médios subiram 4,4%, uma combinação mais favorável do que a observada no início do ano, quando o avanço vinha principalmente do volume, com queda nos preços médios.
Esse equilíbrio entre quantidade e valor tende a ser o principal indicador para acompanhar nos próximos meses. Fatores como o comportamento climático nas próximas safras, a evolução das negociações comerciais entre grandes blocos econômicos e a manutenção do ritmo de compras chinesas serão decisivos para saber se o Brasil consegue sustentar essa trajetória até o fim do ano. Para o produtor, entender esses sinais ajuda a planejar vendas, negociar contratos e avaliar o momento mais adequado para comercializar a produção.
Os dados de maio reforçam algo que o setor já vinha demonstrando ao longo dos últimos anos: o agronegócio brasileiro segue como peça central da economia do país, sustentado por produção em escala, sanidade reconhecida internacionalmente e uma rede cada vez mais ampla de mercados compradores. Para quem vive do campo, acompanhar de perto esses números não é apenas uma questão de curiosidade, mas uma ferramenta prática para tomar decisões mais seguras sobre a próxima safra.
Fontes consultadas:
Ministério da Agricultura e Pecuária (Agência Gov): https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202606/agro-brasileiro-exporta-us-16-bilhoes-em-maio-e-responde-por-mais-da-metade-das-vendas-externas-do-pais
CNN Brasil: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/exportacoes-do-agro-batem-recorde-no-primeiro-trimestre-de-2026/
Confederação Nacional de Municípios: https://cnm.org.br/comunicacao/noticias/exportacoes-brasileiras-do-agronegocio-representam-50-2-do-total-exportado-pelo-brasil-em-maio